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15 maio 2014

Apenas um Olhar


Cheguei à conclusão inequívoca de que os meus olhos são infantis, ingênuos e despudorados. (Talvez tanto quanto eu mesma?).

O meu olhar é atraído para tudo que é colorido. Cor e alegria são um constante quando estou distraída e minha Alma fala.

Hoje, resolvi falar do meu olhar, por que ele é atraído para a expressão dos olhos das crianças, gatos, passarinhos, e procura encontrar neles a transmissão do que sentem naquele momento. Então meu olhar chora quando vê sofrimento, mas na maioria das vezes, tem o prazer de se alegrar junto com eles.

Meu olhar, ele vê um pouco através das cores do hibisco que insiste em brotar na minha janela, apesar de tantos maus tratos. Insiste em procurar neste pé de hibisco, o que o faz mover-se em direção ao sol, abrir suas pétalas, mesmo que praticamente todo mundo passe todo dia por ele, sem vê-lo. Olham, mas não o veem.

Pela manhã, o meu olhar fica ansioso, me esperando abrir a janela, para cumprimentar o dia, as montanhas e seus milhões de folhas, o sol que, olhem (e vejam) só: nasceu outra vez!

Meu olhar criterioso percorre minuciosamente cada folha que balança ao vento, das poucas árvores (que pena), ao lado do estacionamento, para verificar se os Senhores dos Ventos estão presentes, em que intensidade e direção. Se for uma brisa, cumprimenta, se são ventos fortes, respeita.

Ao por do sol, quando pode contemplar, meu olhar se rejubila e fica descansando a vista no horizonte... Que maravilha, que céu, que cores!

Eu agradeço ao Universo, ter me dado um olhar que não é perverso, que prefere ver o lado bom, deixando para os ouvidos e outros sentidos, as agruras do mundo, por que infelizmente, os ouvidos e muitos outros sentidos, não podem evitar como meu olhar. Não podem escolher o que olhar ou simplesmente se fechar.

Claro que existem os que preferem olhar e "ver" apenas as ruínas da vida humana... Mas felizmente, o sol, jamais poderá ser ofuscado. Posso ver seu brilho intenso e agradeço.

Por isso, meu olhar, eu te peço, continue abençoado, como o sol e a vida exuberante que você consegue despudoradamente, me mostrar!

Autora: Edna Molina




18 março 2014

Conhecimento x Sabedoria



"O caminho da Sabedoria é não ter medo de errar."(1)
"Aprender uma coisa significa entrar em contato com um mundo do qual não se tem a menor ideia. É preciso ser humilde para aprender."(2)

Fico impressionada ao me deparar com a quantidade de pessoas “comendo livros com farinha” e também com a quantidade de informações capazes de assimilar. O ser humano é fantástico! Principalmente nas reuniões sociais, adoram citar frases nitidamente inteligentes e às vezes até profundas... Porém, são frases de outras pessoas, não são criadas por elas ...São somente palavras, não foram vivenciadas nem sentidas em seu caminhar. Estas pessoas recebem informação, têm algum conhecimento, mas...não conseguiram se tornar sábias.

É gratificante ir verificando no decorrer do ano, crianças em diferentes faixas etárias e a rapidez com que os pequenos se transformam a cada novo aprendizado. Mudam atitudes, forma de falar, se vestir, comportamentos e essa mudança é facilmente constatada. É uma Lei Natural no ser humano, aprender e mudar. Em se tratando das crianças, nenhuma novidade, quem tem filhos sabe disso. Eles olham a vida de peito aberto e com entusiasmo! São pequeninas “esponjas” que absorvem tudo que ensinamos.

As resistências começam quando essa criança vai recebendo todos os tipos de condicionamentos, através de informações indiscriminadas, onde se fazem presentes as repressões “adestramentos”, dos pais, da sociedade, da escola, da religião, da mídia. Formam-se então os ranços e crenças, tanto mentirosas, como improdutivas, tais como: “sou pobre, mais sou limpinho, os ricos não são felizes (ou são safados, mentirosos, etc), sexo é feio, pau que nasce torto, morre torto, quem não se sacrifica não vence na vida". Uma infinidade delas. Este assunto é extenso e pode gerar outro post, mas neste momento do desenvolvimento humano, se instalam os três grandes "empecilhos" do sucesso na vida humana: a culpa, o medo e a raiva!

Já no ensino dos adultos, a coisa muda muito de figura.Conforme averiguei nesta experiência, uma grande parcela destes alunos, resistia aos novos paradigmas agarrando-se com unhas e dentes às velhas crenças com as quais foram condicionados, como se mudar fosse perigoso. Entendo essa atitude, por que desde pequenos, foi incutida em nosso inconsciente a ideia de que as coisas devem ser sempre iguais para trazer segurança.

Esses alunos aprenderam a desenhar os símbolos gráficos, porém, não passaram o que foi aprendido pelo “Fogo da Fornalha”. Até assimilaram o que foi ensinado, aprenderam e ler e escrever, entenderam a informação, adquiriram o conhecimento... Mas resistiram vigorosamente a utilizar a luz destes novos conhecimentos para iluminar suas velhas crenças arraigadas, por anos de valores falidos, que nunca foram comprovados. Seria comodismo? Ou Puro medo do “castigo dos céus”? (O famigerado "ranço cristão").

Me resta perguntar a você, que está lendo estas palavras se é capaz de virar para seu espelho e perguntar para aquela pessoa que está te olhando, até onde você é resultado de informações não analisadas criteriosamente? Até onde suas velhas crenças estão introjetadas no seu inconsciente?  Até onde você é influenciado por elas nas suas escolhas? Não acha que seria importante saber quem é, de verdade, que comanda seus passos? Seria a mídia, a igreja, instituições falidas, conceitos morais arraigados... Ou seria você mesmo? Até onde você tem certeza disso? Quando descobrir, estará finalmente indo ao encontro da Sabedoria.

No livro "O amor que acende a lua", vejam o que diz Rubem Alves a este respeito:

Transformação pelo Fogo.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo, o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo do que ela é capaz.

Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.

No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém. 


Autora: Edna Molina

*1 e 2 - Palavras Essenciais, Paulo Coelho.



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